Visão de Lucas Kallas dialoga com dados que mostram o peso da infraestrutura na economia e na competitividade do setor mineral
A discussão sobre infraestrutura no Brasil costuma oscilar entre diagnósticos conhecidos e soluções que raramente saem do papel. Para o empresário Lucas Kallas, presidente do conselho da Cedro Participações, que lidera uma estratégia de investimentos logísticos na Cedro Mineração, os dados mais recentes ajudam a dar direção ao debate. Um estudo da FGV Ibre mostra que o investimento em transporte é o que mais gera impacto combinado na economia, ao ampliar a produção e estimular a criação de empregos.
Os dados demonstram a relevância do setor. A cada R$ 1 milhão investido em transporte, a economia pode alcançar até R$ 3,34 em produção, além de gerar mais de 30 empregos diretos, indiretos e induzidos. Trata-se do maior multiplicador entre os segmentos analisados, superando inclusive a construção civil em termos de impacto produtivo.
A relevância do transporte está associada à sua capacidade de integração entre diferentes cadeias produtivas. O setor contribui para a redução de custos logísticos e para o aumento da competitividade de diversos segmentos econômicos. No contexto brasileiro, ainda marcado pela predominância do modal rodoviário e por limitações na integração entre ferrovias, portos e hidrovias, os investimentos em logística assumem caráter estratégico.
Esse cenário se reflete em iniciativas da iniciativa privada, especialmente em setores intensivos em logística, como a mineração. Nesse ambiente, a eficiência operacional está diretamente relacionada à qualidade da infraestrutura disponível.
A Cedro Mineração insere-se nesse contexto ao estruturar uma estratégia que incorpora ativos logísticos à sua atuação. Sob a liderança de Kallas, a companhia tem direcionado investimentos para enfrentar gargalos históricos no escoamento da produção mineral em Minas Gerais.
Entre os projetos em desenvolvimento está a Ferrovia Serra Azul, uma ramal ferroviário que busca conectar áreas produtivas a corredores logísticos mais eficientes, com redução da dependência do transporte rodoviário. Paralelamente, o projeto do Porto do Meio, em Itaguaí, visa ampliar a capacidade de exportação, com maior previsibilidade operacional e integração entre modais.
Essas iniciativas indicam uma abordagem orientada à construção de soluções integradas. No Brasil, ainda é comum a existência de investimentos fragmentados, com baixa articulação entre diferentes modais e projetos de infraestrutura.
A adoção de uma estratégia integrada dialoga com a necessidade de tratar a infraestrutura como elemento estruturante do desenvolvimento econômico. Nesse sentido, o investimento em transporte deve ser considerado em conjunto com outras áreas, como energia e planejamento regulatório, de forma a potencializar seus efeitos sobre a economia.
O avanço dessa agenda tem impacto direto sobre a competitividade do país no cenário internacional, especialmente em setores voltados à exportação. A eficiência logística passa a ser um fator determinante para a inserção do Brasil em mercados globais mais exigentes. Para Kallas, a logística ocupa posição central na estratégia empresarial. “Infraestrutura define o limite de crescimento de qualquer negócio”.
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